Os comportamentos femininos sempre despertaram minha curiosidade. Desde quando comecei meus estudos como coach e do desenvolvimento da mulher, uma questão me chama muito a atenção: a energia feminina e energia masculina.

A partir do momento em que nós mulheres ingressamos no mercado de trabalho, onde os homens ainda são a maioria, desenvolvemos por questão de aceitação, validação e sobrevivência, atitudes e comportamentos tipicamente masculinos.

Vestimos essas máscaras por proteção e escudo para não demonstrarmos nossas fragilidades e não recebermos rótulos indesejáveis, camuflando nossas angústias e receios. O universo corporativo ainda não abre espaço necessário para debatermos sentimentos. Porém, hoje percebo em muitas mulheres que atendo em processos de coaching e que atingiram muitas conquistas profissionais, um cansaço em continuar sustentando esse arquétipo masculino que conflita com nossa essência. Instalou-se em nós um mau humor e um ranço que está interferindo demais nas nossas relações afetivas e trazendo danos inclusive a saúde.

Estamos vivendo a era da inteligência emocional, e de fato é preciso aprendermos a lidar com as emoções. As mulheres ultrapassaram o índice de 60% com curso superior completo no Brasil. Nenhuma geração de mulheres buscou tanto conhecimento como nos dias de hoje. A questão é que estamos ainda no beabá emocional. Trata-se de um processo educacional que nos coloca em contato com uma parte que às vezes negamos de nós mesmos, nossa essência interna, o que é indispensável se quisermos investir em educação moral, afetiva e libertação humana, sejam homens ou mulheres.

Por alguns anos desenvolvi e utilizei essa energia masculina para ir em busca do que desejava. Tive acertos e alguns feedbacks indesejáveis e que encarei como ricos aprendizados. Em 2013, participei de um workshop nos Estados Unidos onde esse tema foi estudado e experimentado profundamente. E minha mudança, que consistiu em olhar para as minhas emoções e aceitá-las, começou ali.

O cérebro do homem e da mulher tem diferenças fisiológicas. “Cérebros masculinos são estruturados para facilitar a conectividade entre ação coordenada e percepção, enquanto os cérebros femininos são projetados para facilitar a comunicação entre os modos de processamento intuitivo e analítico. Fazemos mais rapidamente a comunicação entre os dois hemisférios, por isso temos mais acesso às emoções.” Diz a neurocientista Ragini Verma. Essas e outras características nos permitem mais flexibilidade, delicadeza e conexão com outras pessoas.

Podemos acessar e colocar em prática toda essa essência feminina, sem abrir mão daquilo que queremos. Assim, desenvolvemos ainda mais nossa autoconfiança para continuarmos no nosso caminho de busca e realização profissional e pessoal. A partir daí, teremos mulheres inteligentes e delicadamente fortes. Podemos ser líderes sem ser “chefes”.

Por Mileine Vargas